Lula pede a brasileiros que mantenham confiança no país.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta terça-feira que os brasileiros continuem acreditando no país e disse que, desta vez, o Brasil não será vítima das crises internacionais. Nesta segunda , o Congresso dos Estados Unidos rejeitou o plano de US$ 700 bilhões de ajuda ao sistema financeiro do país, o que derrubou as bolsas de todo o mundo.
O presidente disse em Manaus, onde participa de reunião com os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Corrêa (Equador) e Evo Morales (Bolívia), que a crise é “muito séria e profunda”, mas que o governo não permitirá a falta de crédito para obras e empresas. “Certamente é uma das maiores crises econômicas que o mundo já viu. A diferença é que nas crises que houveram há 10 ou 15 anos, nossos países estavam muito frágeis.”
Ao contrário das declarações que deu na semana passada, quando chegou a afirmar que perguntas sobre a crise deveriam ser feitas ao presidente George Bush, Lula admitiu que o Brasil não está imune aos problemas da economia americana, embora afirme que o país está melhor preparado para enfrentar a situação.
“Nós aqui estamos numa situação muito mais tranqüila. Não que não corramos risco. Podemos correr porque uma recessão em caráter mundial traz riscos para nós. Mas estamos mais sólidos e precavidos”, argumentou. Lula ressaltou, porém, que a situação é diferente da de outras crises. “Quando os Estados Unidos espirravam, nós pegávamos pneumonia”, declarou.
Lula disse ainda que espera que os norte-americanos resolvam logo seus problemas. “A gente fez o dever de casa e eles não. [Eles] Passaram anos dizendo o que nós devíamos fazer e não fizeram [o que nos diziam].“
Lula se disse solidário ao povo americano. “Eu quero o bem do povo americano. Ninguém merece uma crise. São mais de 340 mil famílias que perderam suas casas nos Estados Unidos. O que estou torcendo é para que o governo, o Congresso, os empresários e o povo americano encontrem uma saída e que as eleições não atrapalhem as decisões para que a crise não aprofunde os problemas em outros países”, afirmou.
Sem gabinete de crise
Lula negou ainda que tenha criado um gabinete ministerial para acompanhar os desdobramentos da crise financeira. Segundo ele, os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, têm obrigação de acompanhar a questão as exportações e do câmbio.
“Não criei um gabinete de crise. Tenho me reunido sistematicamente com o ministro Mantega e com o presidente do Banco Central. Não existe uma espécie de gabinete de crise. Tanto o presidente do BC, o ministro da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio precisam conversar entre si para tratar das exportações e da questão do câmbio”, afirmou.
Questionado sobre o que o país deve esperar da crise internacional, o presidente afirmou que é hora de ter confiança no Brasil. “O momento é de acreditar nesse país, no mercado interno do país, e acreditar que não seremos vítimas como das outras vezes. E torcer para que os americanos resolvam os seus problemas”, afirmou.
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